Opinião

Vida de cão, mas não devia.

Existem várias associações que recolhem e tratam de animais abandonados.

Um dia fui com a minha tia levar comida e mantas a uma delas e no meio de vários cães, uma cadelinha chamou-me a atenção. Era doce, ladrava de forma alegre e era linda. Fui embora, mas não a esqueci. Quando voltei lá, tive a certeza que fui escolhida. Ela escolheu-me para que a levasse dali. Informei-me. Queria aquela menina na minha vida. Assim foi.

Quando cheguei a casa, o meu pai ralhou pois não a queria ali. Demorou apenas uns dias a ser também conquistado. Acabou por ser a sua maior companhia. Quando ia caminhar ou quando estava apenas sentado, ela deitava-se e não arredava pé. Pata, vá.
Também da minha mãe. Ia com ela para todo o lado, sempre meiga e alegre. Acompanhava-a na horta, a tratar dos animais, a caminhar. Para todo o lado.

No meu caso, sempre que ia a casa para passar uns dias ela era uma parte importante do tempo que lá passava. Ao chegar, passava sempre vários minutos na conversa com ela antes mesmo de sair do carro. As boas-vindas que me dava, valiam pelo mundo.
Odiava ouriços-cacheiros e gatos que não fossem de casa. Tirando isso era um doce.

Foi abandonada por um filho da mãe qualquer. Escolheu-me e ficou em minha casa durante uns dez anos. Dez anos em que foi muito feliz e nos fez mais felizes por a termos connosco. Quando partiu chorámos, como acontece quando parte algum membro da família.

Portanto, gostaria que me fizessem um favor, o favor de adoptar animais em vez de os comprarem. Os animais mesmo adultos adaptam-se e são muito fiéis e dóceis, tal como se tivessem crescido convosco.

Façam-me também o favor de quando os têm, os tratarem bem.

Estamos quase no Verão, altura em que mais se abandonam animais.
Obrigada.

Autor

Tradutora por habilitação, professora por profissão, viajante e curiosa pelo mundo por opção.