Opinião

Reforço da nossa identidade colectiva: é tão necessário impor limites quanto é necessário quebrá-los

Há dias falava com uma amiga sobre a necessidade de conhecermos as nossas cercanias, de as reconhecermos como parte de nós próprios e da nossa identidade. Uma espécie de apropriação amigável em que tornamos nosso o que nos une. É por isso que julgo que seria importante conhecermos e darmos a conhecer as personalidades históricas, os pensadores, os criadores e as marcas dos espaços físicos dos concelhos da tradicionalmente denominada Zona do Pinhal, ou mais concretamente sub-região do Pinhal Interior Sul.

Para não recorrer novamente à figura de António de Andrade – que me fascina – suponhamos, por exemplo, o caso do pintor naturalista Túllio Victorino, aluno dos mestres Columbano Bordalo Pinheiro e Malhôa. Por ser natural de Cernache do Bonjardim, não será personalidade de influência histórica limitada a Cernache. Não que me tenha apercebido que haja qualquer intenção nesse sentido, mas por vezes, somos nós que sem querermos, colocamos as personalidades e valências demasiadamente localizadas. A sua obra e existência são – como aliás acontece com todos os seres humanos! – uma contribuição para fruição dos que lhe foram próximos, mas o alcance das suas pinturas, coloca-o num nível de reconhecimento que merece ser vivido também por todos.

Sem qualquer intenção de apropriação, mas não sairíamos todos a ganhar se sentíssemos que o pintor está próximo não só de Cernache, mas também de toda a região, de todo país e… (isto não pára) de toda a humanidade?

Este alargar das barreiras e limites é uma das formas de pensar, que a meu ver, contribuem para o reforço da nossa identidade colectiva.

É tão necessário impor limites, quanto é necessário quebrá-los. Saímos todos a ganhar se soubermos quando um e quando outro.

Autor

Metade músico, metade produtor, metade apaixonado por viagens, metade inquieto profissional.