Opinião

Sobre aos caminhos da escrita

Escrever pode significar muitas coisas. Para muitos pode ser um exercício de catarse, um caminho para libertar a mente de todos aqueles pensamentos que insistem em entrar sem pedir licença. Pode ser uma forma de activismo ou mesmo uma ferramenta para consciencializar. Pode ser tudo isto e muito mais.

Ainda que escrever possa ser um exercício conjunto, é mais vezes uma actividade individual que tem tanto de versátil como de único. Cada pessoa tem o seu processo, os seus rituais, e mais importante que tudo, os seus “porquês”. Perceber o propósito da nossa escrita ajuda a desenhar um caminho, um estilo e até eventualmente a influenciar o que daí resulta.

Mas não nos apeguemos demasiado à ideia de que tudo deve ter um fim em si mesmo. Escrever pode muito bem ser apenas uma tentativa de trazer ordem ao novelo que muitas vezes sentimos ter dentro da nossa cabeça. 

A começar em nós, escrever podia ver-se mais vezes livre de crítica e opinião. Aprender a ver beleza na imperfeição e aceitar com orgulho que podemos ser essa ideia de irregular, de único e irrepetível. E tanto que há de potencial nessa forma imperfeita e real de sermos nós.

Como uma espécie de monólogo, escrever pode por vezes ser uma tentativa de arrumar ideias. E essas ideias, tendo vida e vontade própria, podem levar-nos à mudança. Qualquer que seja a perspectiva nova que ganhamos, será sempre uma transformação. 

Escrever para a Resina tem-me soado muito a conversar com a minha própria consciência. Independentemente do tema, é tempo útil que tenho vindo a guardar para duas das coisas que mais valorizo: a partilha que nasce destas conversas e a possibilidade de crescer no colectivo.

Autor

Sonha em construir uma casa no Trisio. Acredita que sonhar não custa e por isso gosta de ter os pés um pouco levantados do chão.