Geral

Ter tempo para ter tempo

“O tempo perguntou ao tempo
quanto tempo o tempo tem.
O tempo respondeu ao tempo
que o tempo tem tanto tempo
quanto tempo o tempo tem.”



Hoje dei por mim a relembrar esta lengalenga sobre o tempo. Essa palavra tão pequena e singela que contempla um dos nossos bens mais preciosos – o tempo. Mais concretamente aquele que temos disponível para nós. Para usar e abusar. O nosso.

Vivemos numa sociedade em que é imperativo trabalhar para poder ter dinheiro para pagar contas e ter alguns prazeres com o que sobra daí. Isto para o comum dos mortais, como eu, que tem de trabalhar e é se quer sobreviver. Há outros, mas desses não me apetece falar.

O ideal seria trabalhar 8 horas por dia e ter o resto para nós, mas nem todos trabalham com os horários das 9 às 5, como dizia a Dolly Parton. Há horários rotativos, há horários que nada têm a ver com a norma e há quem concilie mais que um trabalho por isso cada um faz o melhor que pode e que consegue e no meio de tudo tenta respirar um pouco.

Agora que me resta pouco mais que nada de tempo disponível, percebi o quanto ele me faz falta.

Sou escrava de horários durante toda a semana. Hora para entrar, para a pausa, para as refeições, para trocar a máscara, para a viagem entre trabalhos… Hora para tudo e mais alguma coisa, por isso livrem-se de marcar horas ao fim de semana porque vou estrebuchar. Mesmo aquela hora que marcámos para o jantar já me faz confusão.

Faço o que gosto por isso apesar de cansada, ando feliz, mas poder ter um tempo livre para os pequenos prazeres da vida agora sei que pode ser um luxo.

No passado domingo, dei por mim feliz por ter tempo para ver um filme. Não via um filme há meses. Antes disso levei a cadela a correr no areal da praia e pude levar com o vento na cara. O vento da Foz do Arelho na cara – quem diria que um dia lhe acharia piada!

Ganho o meu dinheiro a fazer o que gosto por isso sou uma felizarda e é nisso que uso quase todo o meu tempo. O resto dele é o meu bem mais precioso e vou aproveitá-lo da melhor maneira possível nem que seja a fazer absolutamente nada.

Está dito.

Autor

Tradutora por habilitação, professora por profissão, viajante e curiosa pelo mundo por opção.