Opinião

Sobre a sorte e o azar

13. Hoje escrevo o artigo número 13 na Resina e não é que andasse às avessas com o tema desta semana, mas este número 13 vem mesmo a calhar! Tenho pensado muito nisso, não porque acredite em sortes ou azares, porque não acredito. Somos o resultado daquilo que, mais ou menos, conscientemente construímos com a força da nossa vontade e propósito mental. 

Para os filósofos estóicos da Roma antiga, a forma de encontrar calma no meio do caos passava por não acreditar que as coisas más não acontecem. Pelo contrário, confiavam que a sentença passaria por aceitar os contratempos que nos assaltam a vida e aceitar que estes fazem parte do caminho que um dia escolhemos fazer. Não esperar que o mundo seja perfeito mas aceitá-lo tal como é. 

Em essência, os estóicos defendiam que deveríamos trabalhar a nossa habilidade para enfrentarmos uma existência, também ela feita de adversidades, e conseguirmos harmonizar a nossa mente para a possibilidade de perda e de caos. Trata-se de ir às profundezas do nosso inconsciente e resgatar os medos que teimamos em esconder de nós próprios.

O caminho para a força interior nunca foi feito por atalhos mas sim por caminhos que embatem de frente com a vida real, com uma ideia de Universo e comunidade, com uma procura incessante por um bem comum. A preocupação e o medo criam demasiado ruído para uma vida que se quer serena. Devemos preocuparmo-nos com aquilo que controlamos e tudo o resto são circunstâncias desta vida que escolhemos. 

A vida é feita de várias versões dela própria e há tanta aleatoriedade na forma como as coisas se sucedem que escolhi aceitar que os finais felizes vão além da sorte ou do azar que temos.

A sugestão literária da semana, quase em jeito de biblioterapia, é o livro Meditações de Marco Aurélio. Trata-se de uma compilação de alguns dos pensamentos que este foi escrevendo ao longo da sua vida e que pode ser visto como um manual de atitudes para a vida. Pensamentos de um livro que nestes dias quentes acompanham bem qualquer momento em família ou entre amigos. Sirva fresco e com uma rodela de limão e deleite-se com as discussões e reflexões que daí podem surgir.

Autor

Sonha em construir uma casa no Trisio. Acredita que sonhar não custa e por isso gosta de ter os pés um pouco levantados do chão.