Opinião

Dois mil e zoom, uma odisseia no ano lectivo.

Foto: Seth, @dudewithsign (Instagram)

Quando nos mandaram para casa, a professores e alunos, eu tinha começado há pouco tempo uma substituição de uma professora, por isso ainda me estava a ambientar à escola e aos miúdos. Mas mal eu sabia que teria de me ambientar a muito mais que isso!

O primeiro mês de aulas a partir de casa foi um inferno para todos. Os professores foram obrigados a repensar estratégias e maneiras de lidar com os miúdos ao longe e acima de tudo, tiveram de aprender a usar novas tecnologias, ao mesmo tempo que tentavam ajudar os pais que estavam tão perdidos quanto nós. Não foi uma época feliz. De todo.

Os miúdos foram os que mais depressa de habituaram à nova realidade. Enquanto todos nós andávamos a apalpar terreno, os miúdos já dominavam o zoom, já respeitavam as regras novas e já se divertiam durante as aulas. O maior problema que senti da parte deles foi a falta do contacto físico com os colegas. As saudades começavam a apertar e isso foi notório. Eles podiam ver-se, mas não se podiam tocar e isso para uma criança é problemático.

Numa aula em que mostrei um video a explicar o que era o vírus e os cuidados que devíamos ter, uma aluna começou a chorar e desapareceu do ecrã. Alguns segundos depois, a mãe veio explicar que o vídeo lhe tinha lembrado da razão por estar sem ver os amigos há meses e que por isso ficou triste. Ela tinha razão.

As aulas entretanto terminaram. Sobrevivemos todos e alguns de nós conseguiram que os alunos aprendessem coisas novas. Não foi pêra doce, mas quando se trabalha com prazer, os milagres acontecem.

E houve alguns milagres como aquela vez que uma menina começou a chorar por se ter esquecido de levar uma coisa para o trabalho da mãe, onde assistia às aulas de zoom, e uma colega em segundos e sem que ninguém lhe tivesse pedido nada, pegou num papel, escreveu “Gosto muito de ti” e mostrou à colega que chorava.

Ela parou de chorar e fui eu que fiquei de lágrimas nos olhos.

Não sei mesmo se quero voltar a dar aulas por zoom, mas sei que apesar de tudo, o balanço foi positivo o que já é muito bom!

Autor

Tradutora por habilitação, professora por profissão, viajante e curiosa pelo mundo por opção.