Opinião

Nós pimba!

E assim aconteceu, numa festa de Santa Margarida

Este ano não houve festas populares.

Costumo dizer que quando chega o Verão, entro em modo música pimba e este ano não o pude fazer com muita tristeza minha. Sei que choco alguns amigos ao dizer isto, mas é de coração que o digo. Cresci a ir a festas de Verão, nas festas há música pimba e eu divirto-me muito com isso.

Deve ter havido uma altura na adolescência que reneguei esta minha faceta. Quase de certeza que fui parva a esse ponto. Adolescência é mesmo isso, andar com parvoíces que se têm como certas atrás. Depois deixei-me dessa vida.

Conheci o Concelho de Oleiros a ir a festas. Não faço ideia de como se vai para lá, mas sei que lá estive. Se tem ou teve festa, eu marquei presença. E isso, meus amigos, é conhecimento geral e vale queijos!

Tantas histórias com os amigos se passaram nestas festas.
Desde pés partidos na festa da Isna, a procissões na vinda da festa do Mosteiro em que a malta se deitava nas bermas para não serem reconhecidos pelos carros que passavam, tudo nos aconteceu! Amores, desamores, bailaricos e muitos risos! Crescemos juntos e fomos muito felizes, caramba!

O frio que se passava na festa do Milrico; o micro-clima quente da festa do Estreito; as rifas da festa de Sarnadas de São Simão em que trouxe um serviço completo de pratos para casa; a ida à BiG P durante a festa da Serra porque os nossos pais deixavam-nos ir às festas, mas não à discoteca por isso tínhamos de aproveitar…
Se calhar esta parte não era para dizer, mas pronto – Está dito!
Na Serra estava muito frio e em nossa defesa, a noite terminava lá a comer frango antes de voltar para casa, portanto ninguém mentiu! Omitimos um pouco, vá!

Nos últimos anos, apenas ia à festa de Oleiros, mas essa não falhava. Aliás, nunca falhei a festa de Oleiros! (Quero uma taça!)

Apenas no Natal e na festa, a malta se consegue juntar e isso vale tanto! Numa das suas canções, Sérgio Godinho canta:
“É que hoje fiz um amigo e coisa mais preciosa no mundo não há” e de facto, assim é. O que todas estas festas têm em comum é isso mesmo, a possibilidade de estar com os amigos. Aqueles com quem partilhamos histórias de outras festas e com os quais queremos criar outras novas.

Este ano não houve festa de Santa Margarida, mas houve adegas, por isso nem tudo se perdeu.

Que 2021 nos traga muitas festas e que os brindes perdidos este ano, sejam certinhos e sagrados no próximo ano! Ámen.

Autor

Tradutora por habilitação, professora por profissão, viajante e curiosa pelo mundo por opção.