Opinião

Arranje uma companheira de luta

Arranje uma companheira de luta… Assim começa a lista das táticas de combate que a autora Jessica Bennett inclui no seu Clube de Combate Feminista. Não que venha escrever sobre feminismo (outra vez) mas esta ideia de “companheiras de luta” ser a primeira tarefa do manual de sobrevivência fez-me muito sentido. E quer ela venha em forma de pessoa ou comunidade, criação ou funcionalidade, movimento ou marasmo, pouco importa o formato ou feitio quando o que queremos é sentir que que não estamos desacompanhados nesta luta.

No meu caso pessoal, esta ideia traduziu-se na procura de um sentido de comunidade mais esclarecido e sereno. De me ligar a pessoas que mesmo tendo feito caminhos diferentes e com histórias muitas vezes divergentes, me fazem sentir parte. Encontrei muitas “companheiras de luta”, de muitas lutas diferentes e que me mostraram que a história de sucesso das outras pessoas não são para nos ofuscar, pelo contrário, ajudam a inspirar no caminho. 

Em tempos tão inesperados e desconexos, poder contar com a ideia de que um outro alguém também já passou pelo mesmo, também já sentiu a mesma “coisa”, dando-lhe mesmo esse nome – coisa – faz com que seja apenas provisório e não a totalidade da nossa essência. É trazer a autoridade da partilha, do sentido de comunidade e da idealização de um sentimento de pertença, mesmo que isso signifique pertencemos a diferentes existências.

Pronto, lá vem ela com mais um ensaio pessoal carregado de reflexões filosóficas e existencialistas. Talvez. Mas a verdade é que nos últimos tempos esta tem sido a minha rede, rede que segura, rede que liga e que protege e a Resina, através destes encontros semanais fugazes, tornou-se parte integrante desta malha. Parte artigo, parte manifesto escrever para a Resina traduz-se também num exercício de abrir espaço a novos vocabulários emocionais e sermos nós quem se propõe a escrever a nossa história.

Autor

Sonha em construir uma casa no Trisio. Acredita que sonhar não custa e por isso gosta de ter os pés um pouco levantados do chão.