Opinião

Sobre uma geração à rasca

Um destes dias foi-me trazida por um amigo a ideia de sermos uma geração que vive afogada na ideia quase patológica de nunca estarmos à altura. Uma ideia que nos leva a experimentamos essa sensação inquietante de não sermos tão bons como os outros pensam e o medo de sermos descobertos. 

Dias depois desta conversa dei por mim a ruminar a volta desta ideia de Síndrome do Impostor. Não sei se por coincidência ou por ter a amostra muito enviesada, mas tenho-me apercebido que mais do que pessoal esta é uma experiência geracional.

Termo-nos assumidos como geração à rasca também nos fez arregaçar as mangas e ir à luta. E no meio deste caminho, onde acreditamos que nada deve ser explicado pelo acaso, tornámo-nos exageradamente exigentes connosco e às tantas demasiado generosos com a noção de sucesso dos outros. Somos a geração que facilmente atribui uma qualquer conquista pessoal a um puro golpe de sorte e não aprendemos a celebrar o que nos é devido.

Nada no ser humano é estático, nada é simplesmente só bom ou mau, só sim ou não. Dependemos demasiado do nosso contexto e vivências e a isso devemos, entre outros, a fascinante neuroplasticidade do nosso cérebro. Estamos constantemente a aprender e a criar novas verdades e o mesmo traço de personalidade pode em momentos diferentes ter demonstrações igualmente desiguais.

Independentemente do caminho que escolhemos fazer, vamos sempre lembrar-nos: Muitas vezes à rasca mas nunca rasca.

Autor

Sonha em construir uma casa no Trisio. Acredita que sonhar não custa e por isso gosta de ter os pés um pouco levantados do chão.