Opinião

Sobre territórios de baixa densidade populacional

Segundo dados de 2019 as zonas rurais perderam 40% da sua população nos últimos 30 anos. Ainda a juntar-se à festa do êxodo rural, importa olharmos para os dados do envelhecimento da população, e aí Portugal surge na linha da frente nos números que vemos pela Europa. Parece evidente que esta equação não é em nada favorável à criação de territórios sustentáveis e que é urgente atuarmos. 

Como já aqui escrevi há uns tempos, uma das soluções pode passar por “evitar replicar, nos pequenos centros rurais, uma geografia e identidade urbanas”, por ser exactamente disso que temos vontade de mudança e por ser urgente a revitalização dos territórios e baixa densidade. Por outro lado, precisamos de pessoas, e de decisores que “reconheçam o valor de criarmos esta malha de conexões entre localidades. Uma rede de pontos individuais que se suportam mutuamente”. 

Esta semana, depois de umas quantas conversas com amigos fiquei a saber que há muita gente com a vontade no sítio certo, mas que por fruto de não existir nem uma rede nem mesmo uma centralização de informação, passa mais tempo a gerir a sua própria frustração do que a construir sonhos de uma mudança para as zonas rurais. 

Numa dessas conversas, um amigo defendia a criação de um gabinete de apoio aos novos rurais, com a centralizar informação e oportunidades, permitindo a quem vem sentir que pode ser fácil esta coisa de vivermos onde nos sentimos em casa (e não onde é o nosso escritório). 

Infelizmente, no dia em que escrevo este artigo ainda estamos longe desta realidade, quer seja pela pela dispersão ou mesmo pela falta de informação disponível. Precisamos assim trabalhar no sentido de capacitar todos quantos estarão envolvidos neste processo de transformação dos territórios que hoje são de baixa densidade para que amanhã possam ser do futuro. 

E atenção que não estamos aqui a inventar a roda, muitos foram os que já se aventuraram nesta jornada de trazer vida aos espaços rurais. Estamos numa posição privilegiada de poder aprender através da experiência de quem já começou este caminho. Mas se vamos começar pelo princípio, precisamos de mais espaços e momentos de discussão, trazer estes temas para a mesa e envolver quem sabe e quem quer saber. Quem se junta?

Autor

Sonha em construir uma casa no Trisio. Acredita que sonhar não custa e por isso gosta de ter os pés um pouco levantados do chão.