Crónica

Sobre novos fluxos migratórios

Ainda na ressaca do primeiro episódio das Conversas em Flagrante, dei por mim a pensar nesta ideia dos novos fluxos migratórios. Movimentos de quem quer regressar às raizes, abraçar um novo estilo de vida ou a quem a nova realidade do trabalho remoto permite assentar em qualquer lado. 

Fiquei a pensar em possíveis soluções, que nos ajudem a garantir que regiões como a Beira Baixa, consigam posicionar-se como uma alternativa a quem como eu, pensa um dia poder voltar. Entre garfadas esfomeadas e o sorver de um copo de vinho Casa da Urra), depressa este passou a ser um dos temas que trouxemos para a mesa. 

Entre várias ideias, umas certamente mais ortodoxas que outras, discutimos que a chave-mestra pode passar por evitar replicar, nos pequenos centros rurais, uma geografia e identidade urbanas, por ser exactamente disto que sentimos a necessidade de mudança. Precisamos de ar fresco.

Por outro lado, torna-se importante evitar o mesmo erro da centralização e perspectiva convergente de que devemos ter tudo em todo o lado. Uma alternativa poderia passar por adoptar uma política de diversificação, onde cada centro rural poderia ver emergir espaços com identidade própria e criar assim uma ideia de rede interdependente. 

Claro que para que isto assim aconteça, precisamos de uma gestão local menos umbiguista e que reconheça o valor de criarmos esta malha de conexões entre localidades. Uma rede de pontos individuais que se suportam mutuamente. 

Para que esta diáspora possa acontecer de forma sustentável e contínua é necessário um grande trabalho de revitalização daquilo que hoje é o estilo de vida que a região do interior consegue oferecer. Mais uma vez, evitando replicar o modelo de cidades em ponto pequeno, o foco deve estar em oferecer o equilíbrio entre o que as pessoas procuram e aquilo que verdadeiramente precisam.

Autor

Sonha em construir uma casa no Trisio. Acredita que sonhar não custa e por isso gosta de ter os pés um pouco levantados do chão.