Geral

O presépio

Foto tirada do Jornal MedioTejonet, 12 de Dezembro de 2019. Foto de DR

Não sou a maior fã do Natal.

Bem sei que é uma altura de festa e de família, mas a meu ver é mais uma altura de incentivo ao consumismo que outra coisa qualquer. Há muitos anos que dou aulas a crianças e quando falam em Natal, falam em presentes e no Pai natal, se existe ou não – nada mais. Cabe a cada um de nós fazer a diferença bem sei, e eu de facto tento mudar as coisas, mas há que ter noção da realidade: o objectivo principal desta quadra ficou perdida algures no tempo.

Se me perguntam se gosto de estar com a família? Claro que sim. Se faço questão de passar com eles esta quadra? Claro que sim. Se gosto de oferecer presentes e ver a cara de felicidade nas pessoas? Claro que sim, mas isso acontece durante o ano todo.

Fazer as coisas só porque toda a gente faz, é uma cena que não me assiste há muitos anos. Tenho um presépio do Ferreira da Silva em cerâmica que me foi oferecido e que é a única coisa alusiva ao Natal que se encontra lá por casa. Na verdade, só o coloco visível para que não me chateiem a cabeça.

Não fui sempre assim. Quando era miúda adorava uma coisa no Natal: fazer o presépio!

Ir ao musgo, escolher algum verde, outro branco para a gruta do Menino Jesus; ir buscar carcódias para fazer os caminhos percorridos pelos Reis Magos; ter papel de alumínio para fazer a água! Adorava depois colocar tudo à volta da Árvore de Natal e criar aquele universo todo de forma o mais realista possível.

Aquelas figuras do presépio fascinavam-me. A vaca, o burro, os pastores, Maria, José, os Reis Magos. Até patos e ovelhas tinha.
Ah, e uma ponte onde colocava o pastor com uma ovelha às costas!

O meu pai fez um berço de palha para imitar a manjedoura e eu fazia uma gruta e colocava lá o menino Jesus no seu berço de palha, rodeado por Maria, José, o burro e a vaca.

Adorava fazer o presépio!

Lembro-me de uma loja que ficava mais ou menos em frente ao Zé do Café, que vendia estas figuras. Adorava passar pela sua montra e imaginar o que poderia fazer com elas e onde as poderia colocar no meu presépio.

Também gostava de colocar a estrela no topo do pinheiro, era sempre uma emoção.

Dito isto, não sou menina para vos acompanhar nesta fase de felicidade temporária e obrigatória, mas que fique claro que gosto muito de vos ver felizes!

Sejam felizes, por amor de Deus

Ou do Pai Natal.

Ou do Menino Jesus.

Nas palhas estendido ou nas palhas deitado.

Mas sejam felizes.

Autor

Tradutora por habilitação, professora por profissão, viajante e curiosa pelo mundo por opção.