Opinião

Sobre a possibilidade de uma sociedade mais justa

Crescemos a ouvir “a vida não é justa”.

Algures entre a juventude e uma adultez emergente damos por nós a viver num mundo onde o poder político se auto legitima e onde (quase) tudo lhe é permitido. “Deve existir menor desigualdade”, uma frase tantas vezes ouvida e que nada tem que ver com o discurso polarizado esquerda-direita que vemos aumentar dia após dia.

Numa perspectiva aristotélica, temos uma sociedade que reconhece o homem com a sua virtude e tudo faz para lhe permitir um caminho de liberdade, onde a escolha e mérito não são mais do que exercícios de escolha individual. Acredito que o que queremos todos é uma sociedade mais justa, assente em pilares estruturantes como o humanismo e a igualdade de oportunidade. 

Temos as nossas determinações genéticas, que em muito explicam a forma como evoluímos como grupo e como respondemos perante determinadas situações.

Temos naturalmente em nós um apurado sentido de justiça, moldado por uma longa jornada de evolução da espécie. E quer a política quer a economia têm-nos falhado ao não ter conseguido integrar os valores do Humanismo e da mudança nas suas equações. O radicalismo bafiento que vemos aumentar nos discursos das várias alas políticas ampliam ainda mais esta lacuna.

Não querendo cair em ultra simplificações, talvez o segredo para construir uma sociedade mais justa passe pela coragem de nos mostrarmos vulneráveis e começarmos de novo.

Somos altruístas, cooperativos mas também somos o seu contrário. A virtude está em conseguirmos um equilíbrio independente de egos, causas e ideologias. Um equilíbrio que nos permita encontrar consensos que representem de forma mais justa a verdadeira função da política – servir as pessoas, todas e não apenas algumas.

Autor

Sonha em construir uma casa no Trisio. Acredita que sonhar não custa e por isso gosta de ter os pés um pouco levantados do chão.