Opinião

Consumo mínimo obrigatório

Tive o privilégio de ter crescido na Vila de Oleiros. A minha infância aconteceu enquanto brincava no meio de pinheiros bravos.

Na altura havia uma fábrica de resina, por isso posso dizer que cresci no meio do choro dos pinheiros. Eram lágrimas que escorriam para dentro de púcaros e isso sempre me fascinou.

A técnica era simples, era feito um descarrasque no tronco do pinheiro e depois uma ferida com um riscador; automaticamente o pinheiro começava a deitar uma seiva que em contacto com o ar ficava dura e formava cristais que caiam lentamente para dentro dos tais púcaros.

Sempre me disseram que não podia mexer naquilo e eu não mexia, mas lembro-me de ficar a observar o líquido e a imaginar mil e uma histórias.

Faz parte do meu imaginário e ainda hoje penso muitas vezes com saudades naqueles pinheiros com os púcaros agarrados.

Anos mais tarde, no aniversário de alguém, a entrada na adega teve como consumo mínimo obrigatório beber um púcaro de vinho. A fábrica fechou, mas os púcaros ficaram para sempre!

Autor

Tradutora por habilitação, professora por profissão, viajante e curiosa pelo mundo por opção.