Opinião

Brincar na rua? Sim, por favor.

A minha geração ainda pôde brincar na rua, sem consolas, iPads ou qualquer aplicação.

Nós fomos os felizardos que puderam brincar uns com os outros e o limite era a nossa imaginação:

Instrumentos musicais? Tínhamos palhinhas que usávamos como pífaros, bastava amassar a ponta da palhinha um pouco e ela começava logo a tocar.

Relógios? Havia uma planta que dava voltas tal como um relógio. A malta separava-a das restantes, espetava-a algures e era vê-la dar voltas tal como um ponteiro do relógio!

Brincos? Tínhamos os Brincos-de-Rainha e os Brincos-de-Princesa que apenas com um pequeno toque se transformavam em belos brincos prontinhos para deslumbrar.

Panelas e tachos? Os bugalhos do Carvalho, depois de limpos por dentro davam excelentes utensílios de cozinha.

Previsões? Pegávamos num dente-de-Leão, após a fase florida (quando estava branquinho e pronto para largar as suas sementes) e perguntávamos: “O teu pai é careca?” Sabíamos a resposta consoante as sementes que ficavam.

Armas? Havia umas ervas por todo o lado que eram pontiagudas e que quando atiradas à roupa de alguém simulavam tiros certeiros. Ficaste com uma erva na camisola? Morreste. Simples.

Muitas saudades destes tempos em que era a natureza a dar-nos tudo.

Natureza, tempo e imaginação era só o que precisávamos.

Bons tempos.

Autor

Tradutora por habilitação, professora por profissão, viajante e curiosa pelo mundo por opção.