Opinião

Sobre o tempo dos outros

Senti esta semana como uma maratona em ritmo de sprint. Está a ser uma semana muito errática, com demasiadas mudanças de contexto, e apesar de terem sido dias de muito cérebro foi o meu corpo quem primeiro se queixou. Com isso, fui ao longo da semana sentindo a necessidade de parar.

Com toda a energia nómada que me assaltou a semana, acabei por perceber que nesta coisa do movimento e da mudança cada um tem o seu próprio tempo. Sei que isto não é nenhuma descoberta genial, digna de um prémio nobel mas foi uma reflexão muito importante para mim. Permitiu-me interpretar reações e passar a atribuí-las às pessoas e não às circunstâncias. 

Todos temos o nosso tempo, quase como se a unidade de tempo fosse diferente para todos nós. É como se existissem múltiplos relógios e passássemos a vida a tentar acertar o nosso com o dos outros. Esta reflexão que para muitos de vocês poderá não ser nova, ajudou-me a construir uma resposta emocional mais sólida quando me encontro perante um fuso horário diferente dos meus interlocutores. 

O facto de poder planear com esta ideia em consideração também me ajuda a melhor entender o outro. Ajuda-me também a conceber diferentes reações e a não fazer juízos que atribuam responsabilidades ao processo mas sim ao facto de sermos humanos e com isso vir uma avalanche de diferentes formas e estruturas de viver. No final de contas, vamos todos sentir-nos mais próximos do tempo uns dos outros, as manhãs vão voltar a ser manhãs e os ponteiros dos nossos relógios estarão finalmente alinhados.

Autor

Sonha em construir uma casa no Trisio. Acredita que sonhar não custa e por isso gosta de ter os pés um pouco levantados do chão.