Música Opinião

Sobre a música como arma de revolução

“Com barba e cabeleira / Num estilo descomunal / Zé Fagundes assume-se / O Rei do punk rural.” Popxula. “Zé Fagundes”

Foi precisamente há 9 anos que assisti ao meu último concerto dos Popxula, um fenómeno de popularidade musical infelizmente reservado aos limites da região. Com trejeitos do rock alternativo e numa década em que ainda se olhava para a música como intervenção, terá sido algures entre o final dos anos 80 que os Popxula se começaram a ensaiar nesta coisa da música como arma de revolução.

“Gente que vive no mesmo mundo real / fuma um cigarro, bebe a bica e lê o jornal / A Gente critica, a gente destrói / fala, fala, fala e nada transmite / haa! Como se transmitir fosse algo essencial / A gente vive a mesma realidade / e não se entende / e até se esquece que, enfim, há gente.” Popxula. Lição de Imoral

Um grupo de miúdos que na altura acreditou, e muito provavelmente ainda hoje acredita, que a música tem uma força capaz de mudar o sistema. O Fachada na bateria, o Calhaz, no baixo e voz, o Bargão na guitarra e voz, o Pesadelo também na guitarra e voz e a quem mais tarde se juntou o Marco ao piano. Em 2013 viram cumprido o sonho (deles e nosso) de editar um álbum a que chamaram “Quem?”.

“Penso / já só busco um pensamento / que seja leve como o vento / e corro / pelos corredores do tempo / e lembro / tudo o que vou sonhar, / se um dia eu acordar / Sei que são só nuvens a passar / deixo a luz da noite iluminar / o escuro do meu ser / nada tenho a perder.” Popxula. Se Um Dia Eu Acordar

Os concertos que vi no icónico Bar Clube da Sertã, ainda hoje habitam a minha memória. Confesso que lhes tendo perdido o rasto nos últimos anos não deixo de ainda saber de cor as letras das canções que sempre soaram a música de protesto e que me fazem tanto ou mais sentido nos dias que correm. 

“E deu-se a inversão dos factores. Agora é o homem quem perde os valores / Escravo de si próprio e das suas invenções / Vai desempenhando as suas funções / Atirar areia aos olhos das multidões.” Popxula. Ecrã

Autor

Sonha em construir uma casa no Trisio. Acredita que sonhar não custa e por isso gosta de ter os pés um pouco levantados do chão.