Geral

Sobre o stress como artefacto da vida moderna

Stress pode ter muitos significados e tocar dimensões diferentes da nossa vida, e com o advento da vida moderna assistimos a uma normalização do stress, especialmente nos nossos locais de trabalho. Tudo começa no nosso cérebro, na forma como percepcionamos a realidade à nossa volta e esta influencia a maneira como pensamos, agimos e somos.

É inegável assumir o trabalho como fonte de desarmonia emocional, física e mental, e torna-se então missão praticamente impossível que este não impacte a nossa vida como um todo. Especialmente quando, mesmo inconscientemente, partilhamos do pressuposto que estar ocupado, ter muitas reuniões e uma lista infinita de coisas para fazer é sim sinónimo de sucesso e qualidade. E como é que isto está a afectar os nossos comportamentos e bem estar geral? Quais são as consequências de aceitarmos de forma tão generalizada o stress como algo que é normal e parte da escalada para o sucesso? 

Muito do stress que hoje vivemos advém de respostas do nosso cérebro a situações que percepcionamos como ameaças e perigos. E se a gestão do situações de risco é gerida directamente pela nossa amígdala cerebral, também conhecida por cérebro reptiliano, por outro lado, a dimensão da lógica e do racional no processo de decisão acontece na região do neo cortex que curiosamente é “desligada” quando estamos a viver momentos de agitação e ansiedade.

Portanto, o nosso cérebro está desenhado de forma a proteger-nos dos perigos de uma vida primitiva, porque efectivamente perante a ameaça de um animal selvagem talvez o melhor seja mesmo fugir ou fingir-mo-nos de mortos. No entanto, o mesmo acontece perante os perigos de uma dita vida moderna, que convenhamos são menos de vida ou morte que os vividos pelos nossos amigos cro-magnon.

Autor

Sonha em construir uma casa no Trisio. Acredita que sonhar não custa e por isso gosta de ter os pés um pouco levantados do chão.