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O primeiro beijo

Ontem foi o dia do beijo e a verdade é que um beijo pode ser uma coisa maravilhosa ou também pode ser uma coisa bem traumatizante. As horas que passamos a pensar no primeiro beijo aquando da adolescência? Com quem vai ser ? Onde? Como será? Tanta questão, meu dEUS!

Até as revistas juvenis faziam artigos sobre o tema: “Aprende a beijar bem” ou “Truques para um beijo bem dado” eram coisas que se podiam ler na “Ragazza” ou noutras revistas que havia na altura. A malta lia aquilo religiosamente. Os amigos que já tinham beijado, eram respeitados e admirados e quem ainda não tinha experienciado tal coisa, sonhava, mas em pânico com esse momento.

Será que eu vou beijar bem? Será que vai ser bom? Será que depois do primeiro, vou ficar muito tempo sem beijar novamente e vou esquecer tudo?
Muitas dúvidas, muitos problemas na cabeça de uma adolescente ou pré-adolescente conforme os casos. Horas a pensar em como seria, horas de sono que se perdiam! E os problemas da adolescência são problemas muito sérios. Coisas para parar o mundo mesmo.

Não eram, mas na altura parecia. A pressão! Tudo na adolescência é complicado, são as chamadas dores de crescimento tardio, digo eu.

No meu caso, aconteceu tarde. Gostava de um rapaz há anos e era com ele que queria ter o meu primeiro beijo, mas ele não me ligava nenhuma por isso a coisa demorou.

Naquela noite, decorria uma festa de aniversário já não sei de quem, que a memória é coisa que não me vale de muito. O tal rapaz chamou-me à varanda com uma desculpa qualquer e eu lá fui. Alguém se deve ter chibado que eu gostava dele e tal e pumbas – a coisa deu-se.

Não me lembro se estava nervosa ou não, mas lembro-me que soube a carne crua e que lá ao fundo se ouvia Simon and Garfunkel.

Após aquela noite, a pressão desapareceu e pude respirar novamente!

Com o tempo aprendi que um beijo pode ser a coisa mais maravilhosa do mundo, mas naquela noite eu só queria que finalmente acontecesse. Ser a última a fazer seja o que for na adolescência é coisa grave – coisa para ser colocada na categoria de drama e ninguém quer mais dramas naquela altura.

Autor

Tradutora por habilitação, professora por profissão, viajante e curiosa pelo mundo por opção.