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Mais depressa se apanha um mentiroso que um coxo?

Ultimamente tenho-me deparado com a facilidade com que se pode destruir algo ou alguém numa rede social e no quanto isso se tornou uma arma poderosa, na maior parte das vezes injusta.

Nomeadamente, esta semana, vi alguém inventar mentiras sobre um estabelecimento de ensino que me é familiar. Essa pessoa colocou uma foto antiga a ilustrar a suposta história e pumbas, lançou aquilo no Facebook. Rapidamente o post foi partilhado e comentado por centenas de pessoas que nada sabiam sobre o sucedido ou mesmo sobre o estabelecimento, mas que acreditaram sem pestanejar que se estava no Facebook é porque era verdade.

As pessoas gostam de sangue, isso não é novidade, é essa a razão de pararem na estrada sempre que há um acidente, mas ao contrário do que acontece num acidente, o sangue nas redes sociais pode ser como o que se vê nos filmes serie B, mero ketchup. No entanto, a malta vê o sangue jorrar, gosta dele e alimenta a ferida sem se dar ao trabalho de questionar nada. É mais fácil ir atrás do rebanho.

Se antes do covid e dos confinamentos, algumas pessoas iam para o café dizer mal umas das outras, agora que não há cafés, fazem o mesmo mas nas redes sociais. Uma pandemia, puxou a outra.

As “fake news” são partilhadas à velocidade da luz e poucos se dão ao trabalho de ir confirmar as histórias. Até já se viu um jornal online lançar uma notícia para depois ser o primeiro a noticiar que era falsa. É a loucura!

Como diria a minha avó, filhos da mãe há muitos e más intenções também. O problema agora é que esses filhos da mãe têm à sua disposição uma máquina capaz de destruir vidas e instituições com uma facilidade assustadora, basta que para isso tenham uma conta numa qualquer rede social.

Todos nós já caímos na esparrela e é por isso mesmo que devemos estar mais atentos que nunca. Assim que uma história quente chega, é dever de cada um de nós ir à procura da origem da coisa. Quem lançou aquilo? Porquê? Será que a história está bem contada? Alguém se deu ao trabalho de ouvir o outro lado? Sim, porque há sempre um outro lado e pode não ser tão escaldante, mas é importante ouvi-lo para então decidir de que lado estamos – isto se for assim tão importante escolher um dos lados…

Autor

Tradutora por habilitação, professora por profissão, viajante e curiosa pelo mundo por opção.