Geral

Estar nas minhas sete quintas

Hoje quero falar sobre estar em casa.

A quarentena obrigatória não me chateou muito porque se há sítio onde gosto de estar é mesmo em casa, por isso dei por mim a pensar naqueles que não têm paz em casa.

Todos os dias ouvimos notícias de maus tratos contra mulheres, contra crianças, contra idosos e quase todos os maus tratos acontecem em casa.

Numa altura normal, passo o dia inteiro fora de casa a trabalhar. Confesso que muito desse dia é passado a pensar naquele momento em que vou conseguir meter a chave na porta, abri-la, dar festas à cadela que está aos saltos por me ver; dar umas festas ao gato que também me veio esperar e se deita de patas para o ar mesmo a pedi-las e respirar fundo porque tenho umas boas horas para relaxar sem filtros, sem engolir sapos, sem qualquer tipo de máscara obrigatória para sobreviver nesta sociedade. Livre e leve.

Eu diria que qualidade de vida é isto – ter sossego em casa.

Aliás ter uma casa já é só por si um grande privilégio e que nem todos têm a sorte de ter. Posso agradecer ter uma casa, em primeiro lugar e só depois agradecer sentir-me bem dentro dela.

Decorei-a aos poucos e de modo a sentir-me o mais confortável possível. Está exactamente ao meu gosto. Os Velvet Underground cantam “I´ll be your mirror, reflect what you are” e é exactamente assim que vejo a minha casa, um reflexo de quem sou.
(E sem bibelots que isso só atrai pó e não servem para nada!)

Se por magia hoje fosse a um concurso de Misses, desejava não a paz no mundo, mas a paz em casa.

Sim, era esse o meu desejo para hoje.

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Autor

Tradutora por habilitação, professora por profissão, viajante e curiosa pelo mundo por opção.