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Ementa Literária – Platero e Eu

Livro: Platero e Eu, de Juan Ramón Jiménez

A primeira vez que vi este livro foi quando o folhei por acaso na Biblioteca Municipal da Sertã. Há duas formas de ganhar vontade de ler um livro: a primeira, está relacionada com o interesse por um autor ou tema em particular, e a segunda, tem que ver com a estratégia que uso para escolher livros ao acaso. Quando quero dar oportunidade a um livro que não é de um autor que eu queira explorar ou que não aborda um assunto que me interessa, uso uma técnica muito  simples: abro o livro, leio uma frase ou um parágrafo, viro-me para dentro e tento auscultar se entre mim e aquele excerto há alguma conexão.  A conexão literária, como gosto de lhe chamar, manifesta-se de vários modos: entusiasmo; curiosidade; espanto; calafrio igual ao que sinto quando a música é boa; vontade de rir ou chorar. Se sentir alguma destas coisas levo-o comigo, se não sentir, coloco-o no mesmo lugar e retomo as buscas pela obra que me acciona a sensação que procuro.

Foi assim com o livro, “Platero e Eu”, escrito por Juan Ramón Jiménez. Quando abri o livro ao acaso e li a descrição de uma romã (atenção! uma romã aos olhos deste Juan é qualquer coisa de deslumbrante) não precisei de mais nada…foi imediato, senti aquele calafrio bom, fechei o livro e trouxe-o para casa.

A história é simples, os ingredientes são um homem, um burro e uma aldeia. O que torna este trio especial é que a narrativa é feita a partir de um olhar poético em relação ao mundo.  É graças a esse olhar que cada página deste livro é uma paisagem magistral feita de pura poesia, e essa poesia germina como as flores da tal aldeia, germina como germinam as coisas simples nos dias do homem, como germina a alegria ou a dor nos dias do burro.

Recomendo esta ementa literária para quem gosta de boas doses de poesia, bucolismo, ares campestres, animais, crianças e aldeias.

E para vos fazer salivar, aqui fica o excerto que me fez devorar a obra:

“Agora, a primeira doçura, aurora feita breve rubi, dos grãos que vêm agarrados à pele. Agora, Platero, o núcleo apertado, são, completo, com seus finos véus, o delicado tesouro de ametistas comestíveis, sumarentas e fortes, como o coração de não sei que jovem rainha”.

Autor

É feliz com a cabeça a flutuar em palavras ou as mãos mergulhadas em tinta.