Opinião

Sobre os caminhos que fazemos devagar

Uma das memórias que mais gosto de partilhar são os longos passeios pelos trilhos da Sertã e das aldeias do Xisto. 

Um dos meus percursos favoritos sempre foi o Trilho do Zêzere, um caminho com cerca de 7km e que com a calma que se pede vai demorar cerca de 3h a percorrer. O tempo certo para desculpar uma ou duas pausas para comer, que nas beiras vai sempre incluir uma fatia de pão para outra de queijo, não necessariamente na mesma proporção.

Neste percurso que nos leva de mãos dadas entre o rio e uma antiga estrada romana é fácil deixarmo-nos encantar por uma paisagem que nos abraça. 

  • As imponentes escarpas graníticas que se erguem ao longo do vale do Zêzere e que nos deixam a certeza de que por aqui já passou muita história. Em terras onde o xisto é Rei, deixou-se emergir uma fonte de granito que mudou por completo o cenário da região.
  • O entusiasmo de confiarmos na sorte e conseguir observar uma das muitas aves selvagens que por aqui habitam, a garça real, a águia de asa redonda ou mesmo o milhafre preto.
  • A flora que podemos contemplar, entre sobreiros, carvalhos-cerquinho, medronheiros e pinheiros-bravo. Tudo espécies anciãs e que provam que a Natureza sabe bem como se adaptar a sua própria existência. 

Durante o caminho que vamos fazendo devagar como se não tivéssemos pressa para chegar a lado algum, podemos observar a Ponte Filipina que liga as duas margens do rio Zêzere e que dizem ser do século XVII. Foi construída para substituir uma ponte antiga de madeira do tempo dos Romanos e que com alguma atenção ainda conseguimos encontrar os seus vestígios. 

Se continuarmos por este caminho chegamos ao Trilho da Levada que nos leva ao Moinho das Freiras, um sítio que dificilmente consigo descrever em palavras de tão bonito que é. 

Enquanto escrevo este texto lembro as saudades que tenho de percorrer este caminho e o poder partilhar com amigos que nunca deixaram de se mostrar encantados com a beleza daquele lugar. Hoje estando longe tenho a sorte de viver num sítio onde os passeios pela natureza não tem data de validade e são parte do dia a dia de quem por cá vive. Ajuda a encurtar a distância de um caminho que espero dentro em breve voltar a percorrer.

Deixo-vos o link para a carta do percurso que está publicada no site da Câmara Municipal da Sertã.

Se puderem este verão passem por lá,  pode acontecer que nos encontremos.

Autor

Sonha em construir uma casa no Trisio. Acredita que sonhar não custa e por isso gosta de ter os pés um pouco levantados do chão.