Geral

Separar o trigo do joio

Ontem vi notícias sobre uma série de gente pró-Palestina a levantar-se enquanto Jerry Seinfeld se preparava para fazer um discurso após receber um diploma honorário na Universidade de Duke, nos estados Unidos da América e fiquei com a pulga atrás da orelha, pois não fazia ideia que raio se passava.
Pois bem, o homem é defensor de Israel e diz que tem o direito de se defender após o 7 de Outubro. Chegou a visitar o país em Dezembro para mostrar o seu apoio.
A sério que não sei como alguém consegue dizer isto após 7 meses de horror e conseguir dormir descansado depois.

Isto trouxe de volta a velha história de conseguir ou não separar o homem da sua arte e “Heaven knows I´m miserable now” quanto a isto!

A serie que este senhor protagonizou e da qual foi autor, fez a delícias de muitos na minha geração, incluindo eu. Uma série sobre nada e ele sempre preferiu guardar as suas opiniões para o seu circulo intimo e desde sempre teve uma postura apolítica. Até agora, pois agora decidiu apoiar um dos lados deste conflito pois é “um judeu orgulhoso”. Acho bem que o seja, mas daí a apoiar o genocídio de milhares de pessoas vai uma grande distancia.

Ele já tinha dito que a extrema esquerda está a estragar a comédia e agora percebo o que queria dizer com isto, mas há uma linha que nos separa – há coisas que não são da extrema esquerda, são apenas direitos fundamentais a que todos deviam ter direito e são esses que eu defendo, já ele não sei bem.

Aqui há atrasado Michael Richards (Kramer) foi cancelado por gritar a palavra “nigger” entre outros miminhos a um elemento do publico que interrompeu o seu espetáculo de “stand up”. Foi feio. Todos nós temos dias maus, mas aquilo não se diz – nunca.

E agora? Consigo voltar a ver episódios do Seinfeld? Consigo, mas é como quando ouço “The Smiths” – ouço, continuo a gostar, mas não consigo não pensar nas porcarias que saem da boca do Morrissey quando opta por falar em vez de cantar.


Sabemos que é bom, não há como negar isso, é impossível não gostar, mas ao mesmo tempo sentimos uma dor aguda que não sabemos de onde vem, mas que está lá. Na alma.


https://youtu.be/GvYq-Ba5SE8?si=itW65nQfUHO6_1aZ

Autor

Tradutora por habilitação, professora por profissão, viajante e curiosa pelo mundo por opção.