Geral

25 de Abril, sempre!

Muita coisa se tem passado nestes últimos tempos em que não pude escrever nada por falta de tempo, mas a morte de Otelo Saraiva de Carvalho fez-me voltar a querer dizer coisas.


Após as eleições, é comum ouvir-se dizer que, por exemplo os EUA, o país está tão dividido que a votação reflecte isso mesmo. São dias a contar votos pois cada um deles pode fazer diferença.


Por cá, as coisas estavam mais ou menos estáveis e havia coisas que eram unanimes. Essa paz desfez-se aquando numa votação na RTP muitos foram apanhados de surpresa, eu sei que eu fui. O desafio era simples, escolher o maior português de sempre.
Na descrição quanto ao objectivo desta votação, pode ler-se na página da RTP: “O programa destina-se eleger, com o seu voto, a personalidade mais marcante da História de Portugal. O português que você mais admira.”
Foram 10 os finalistas e para surpresa de muitos, António de Oliveira Salazar ganhava:

1º António de Oliveira Salazar – 41,0%

Lembro-me que este resultado deu muito que falar. Corria o ano de 2006.
Devíamos ter dado mais atenção a isto porque esta malta que votou tinha muita coisa reprimida desde 1974.


Hoje, ano de 2021, as redes sociais são um esgoto a céu aberto onde tudo o que outrora era tido como unanime, agora é discutido e negado com a maior das naturalidades.
Os fascistas saíram debaixo das pedras e passeiam-se pelas redes sociais com orgulho, agora que até têm voz na nossa Assembleia da República.

Otelo morreu. De um lado da barricada os que o queriam homenagear por ter orquestrado o 25 de Abril; do outro os que o condenam pelas FP25. Ora, ele foi absolvido nesse caso. Por associação terrorista (outro dos crimes que lhe apontam) ele cumpriu 5 anos de prisão. Pagou por isso.


Nunca vi o país tão dividido como nesta questão.


Na barricada dos que de forma alguma iriam concordar com uma homenagem publica a Otelo, deveria pelo menos haver a noção que se hoje podem dizer as barbaridades que dizem, a ele o devem.

Autor

Tradutora por habilitação, professora por profissão, viajante e curiosa pelo mundo por opção.